

JANELAS DA ALMA
“Alguém que vi de passagem Numa cidade estrangeira Lembrou os sonhos que eu tinha E esqueci sobre a mesa Como uma pêra se esquece Dormindo numa fruteira...”
Trecho da canção: Um gosto de sol Autores: Milton Nascimento e Lô Borges
Onde pousa o seu olhar?
Talvez em algum lugar do passado guardado, numa fotografia antiga.
Em alguma saudade, amiga de qualquer hora Que não avisa, chega e vai embora, silenciando a vida.
Onde pousa o seu olhar?
Talvez em outra noite mal dormida. Num sonho mal acabado.
Ou num desejo que foi pro ralo, que acabou sem abraço, sem beijo, simplesmente de qualquer jeito.
Onde pousa o seu olhar?
Talvez Em suas mãos vazias de amor De dedos escondidos pelos dias de dor e amanhecer tristonho.
Como morar em um lugar estranho, onde a esperança e o sonho jamais existiram e os anjos do amanhã partiram, para não mais voltar.
Onde pousa o seu olhar?
Ali, na linha do horizonte que separa céu e mar ou na faixa de areia por onde suas pegadas que são apagadas pela maré cheia, seguem renovadas no caminhar.
E o seu olhar permeia o que vai adiante. Algo muito maior que está além do céu, do mar e da areia: A semente da vida. Que renasce e floreia a cada estação e habita em seu coração.
Você pode senti-la: “abra as janelas da sua alma”.
Claudio de Lima
NOTA: o poema Janelas da Alma, nasceu da observação de alguém que vi de passagem, sentada frente ao mar na Praia do Bessa, em João Pessoa.
“Conheço a residência da dor É um lugar afastado, sem vizinhos, sem conversa, quase sem lágrimas com umas imensas vigílias diante do céu. A dor não tem nome, não se chama, não atende. Ela mesma é solidão Nada mostra, nada pede, nada precisa. Vem quando quer...”
Trecho do poema: Conheço a residência da dor Autora: Cecília Meireles
“Ela estava triste não era uma tristeza difícil. Era mais como uma tristeza de saudade. Ela estava só. Com sua eternidade à sua frente e atrás dela”.
Do livro: Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres Autora: Clarice Lispector
“Das pedras
Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim. Levantei uma escada muito alta e no alto subi. Teci um tapete floreado e no sonho me perdi. Uma estrada, um leito, uma casa, um companheiro. Tudo de pedra. Entre pedras cresceu minha poesia. Minha vida... Quebrando pedras E plantando flores. (...) Extraído do livro: Meu livro de cordel – 1998 Autora: Cora Coralina (1889 – 1985)
É uma das poetisas brasileiras mais querida de nossa literatura. Com uma escrita marcada pela simplicidade de versos livres e doces, a autora escreveu muito sobre o cotidiano simples de sua vida em Goiás e até hoje inspira muita gente com sua linguagem única.
Claudio Lima
Enviado por Claudio Lima em 22/03/2025
Alterado em 22/03/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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