Claudio de Lima

"Passo e fico, como o Universo" O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa

Textos


JANELAS DA ALMA

 

“Alguém que vi de passagem

  Numa cidade estrangeira

  Lembrou os sonhos que eu tinha

  E esqueci sobre a mesa

  Como uma pêra se esquece

  Dormindo numa fruteira...”

 

 Trecho da canção: Um gosto de sol

 Autores: Milton Nascimento e Lô Borges

 

 

Onde pousa o seu olhar?

 

Talvez

em algum lugar do passado

guardado,

numa fotografia antiga.

 

Em alguma saudade,

amiga de qualquer hora

Que não avisa,

chega e vai embora,

silenciando a vida.

 

Onde pousa o seu olhar?

 

Talvez

em outra noite

mal dormida.

Num sonho mal acabado.

 

Ou num desejo

que foi pro ralo,

que acabou sem abraço,

sem beijo,

simplesmente

de qualquer jeito.

 

Onde pousa o seu olhar?

 

Talvez

Em suas mãos

vazias de amor

De dedos escondidos

pelos dias de dor

e amanhecer tristonho.

 

Como morar em um lugar

estranho,

onde a esperança

e o sonho

jamais existiram

e os anjos do amanhã

partiram,

para não mais voltar.

 

Onde pousa o seu olhar?

 

Ali,

na linha do horizonte

que separa céu e mar

ou na faixa de areia

por onde suas pegadas

que são apagadas

pela maré cheia,

seguem renovadas

no caminhar.

 

E o seu olhar permeia

o que vai adiante.

Algo muito maior

que está além

do céu, do mar

e da areia:

A semente da vida.

Que renasce e floreia

a cada estação

e habita

em seu coração.

 

Você pode senti-la:

“abra as janelas da sua alma”.

 

Claudio de Lima

 

NOTA: o poema Janelas da Alma, nasceu da observação

de alguém que vi de passagem, sentada frente ao mar

na Praia do Bessa, em João Pessoa.

 

“Conheço a residência da dor

É um lugar afastado,

sem vizinhos, sem conversa,

quase sem lágrimas

com umas imensas vigílias

diante do céu.

A dor não tem nome,

não se chama, não atende.

Ela mesma é solidão

Nada mostra, nada pede,

nada precisa.

Vem quando quer...”

 

Trecho do poema:

Conheço a residência da dor

Autora: Cecília Meireles

 

 

“Ela estava triste

não era uma tristeza difícil.

Era mais como uma tristeza

de saudade.

Ela estava só.

Com sua eternidade à sua frente

e atrás dela”.

 

Do livro: Uma aprendizagem ou

O livro dos prazeres

Autora: Clarice Lispector

 

 

“Das pedras

 

Ajuntei todas as pedras

que vieram sobre mim.

Levantei uma escada muito alta

e no alto subi.

Teci um tapete floreado

e no sonho me perdi.

Uma estrada,

um leito,

uma casa,

um companheiro.

Tudo de pedra.

Entre pedras cresceu

minha poesia.

Minha vida...

Quebrando pedras

E plantando flores.

(...)

Extraído do livro:

Meu livro de cordel – 1998

Autora: Cora Coralina (1889 – 1985)

 

É uma das poetisas brasileiras mais

querida de nossa literatura.

Com uma escrita marcada pela

simplicidade de versos livres e doces,

a autora escreveu muito sobre o

cotidiano simples de sua vida em Goiás

e até hoje inspira muita gente com sua

linguagem única.

 

 

 

Claudio Lima
Enviado por Claudio Lima em 22/03/2025
Alterado em 22/03/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras