

AREIAS DE GAZA
“Basta-me morrer em meu país aí ser enterrada. Dissolver-me e aí reduzir-me a nada. Ressuscitar erva em minha terra. Renascer flor que alguma criança crescida em meu país arrancará. Basta-me estar no regaço de minha pátria. Estar perto dela como um punhado de poeira, um raminho de grama uma flor.”
Fadwa Tuqan, considerada uma diva da poesia palestina – (1917 – 2003) Conhecida por suas representações da resistência à ocupação israelense, na poesia árabe contemporânea.
“O poeta é repórter de seu tempo” Claudio Lima
Areias de Gaza, banhadas de sangue inocente, de mortos sem conta, afronta de modo indecente o mundo civilizado.
A visão de cada corpo tombado na fila da fome, agride e consome toda a esperança de paz.
Esse crime tem nome: genocídio de dezenas de milhares. Famílias e lares destruídos sem piedade de modo torpe e covarde.
Areias de uma cidade fantasma. De uma população desolada. Sem teto Sem chão Sem vida Sem pão Sem país E o resto é nada, um nada que nunca acaba.
Como uma oliveira* queimando até a raiz. A dor está no olhar infeliz de cada criança. A dor paulatina que dilacera nossos corações e a alma da Palestina.
Claudio Lima
“Para que eu escreva poesia que não seja política devo ouvir os pássaros. E para ouvir os pássaros os aviões devem estar silenciosos.”
Marwan Makhol Poeta palestino
“Uma noite sem estrelas eu viro de um lado para outro, a terra treme, e eu caio da cama. Olho pela minha janela, a casa vizinha não existe mais. Está deitada, como um velho tapete no chão de terra, pisoteada por mísseis. Largos chinelos voando de pés sem pernas. Eu não sabia que meus vizinhos ainda tinham aquela pequena TV. Que aquele quadro antigo ainda estava pendurado em suas paredes, que a gata deles tivera filhotes.”
Mosab Abu Toha Escritor, poeta, acadêmico e bibliotecário. Palestino, natural da Faixa de Caza.
*Oliveira Na cultura palestina, a oliveira e suas azeitonas são símbolos poderosos de identidade, resistência e ligação com a terra. A árvore com suas raízes profundas, representa a conexão ancestral com a Palestina, enquanto a oliveira e o azeite são importantes para a economia e a identidade cultural do povo palestino.
Os números do conflito / Julho25: Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, do lado palestino 55.104 pessoas já morreram e 130.000 ficaram feridas, por decorrência da guerra desde o início do Conflito entre Israel e o Hamas. Nesse período o número de israelenses mortos incluindo civis e soldados é de 1.200 pessoas e cerca de 8.000 feridos.
Em 21 de Novembro de 2024, após uma investigação de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão para dois altos funcionários israelenses, Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel e Yoav Gallant, o ex-ministro da Defesa de Israel, alegando responsabilidade pelo crime de guerra de fome como método de guerra e pelos crimes contra a humanidade de assassinato, perseguição e outros atos desumanos durante a guerra de Gaza.
Claudio Lima
Enviado por Claudio Lima em 24/07/2025
Alterado em 24/07/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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