Claudio de Lima

"Passo e fico, como o Universo" O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa

Textos


AREIAS DE GAZA

 

“Basta-me morrer em meu país

 aí ser enterrada.

Dissolver-me e aí reduzir-me a nada.

Ressuscitar erva em minha terra.

Renascer flor

que alguma criança crescida em meu país

arrancará.

Basta-me estar no regaço de minha pátria.

Estar perto dela como um punhado de poeira,

um raminho de grama

uma flor.”

 

Fadwa Tuqan, considerada uma diva da

poesia palestina – (1917 – 2003)

Conhecida por suas representações da

resistência à ocupação israelense, na poesia

árabe contemporânea.

 

“O poeta é repórter de seu tempo”

  Claudio Lima

 

 

 

Areias de Gaza,

banhadas

de sangue inocente,

de mortos sem conta,

afronta

de modo indecente

o mundo civilizado.

 

A visão

de cada corpo

tombado

na fila da fome,

agride e consome

toda a esperança de paz.

 

Esse crime tem nome:

genocídio

de dezenas de milhares.

Famílias e lares

destruídos

sem piedade

de modo torpe e covarde.

 

Areias

de uma cidade fantasma.

De uma população

desolada.

Sem teto

Sem chão

Sem vida

Sem pão

Sem país

E o resto é nada,

um nada que nunca acaba.

 

Como uma oliveira*

queimando até a raiz.

A dor está no olhar infeliz

de cada criança.

A dor paulatina

que dilacera nossos corações

e a alma da Palestina.

 

Claudio Lima

 

 

“Para que eu escreva poesia

 que não seja política

 devo ouvir os pássaros.

 E para ouvir os pássaros

 os aviões devem estar silenciosos.”

 

Marwan Makhol

Poeta palestino

 

“Uma noite sem estrelas

eu viro de um lado para outro,

a terra treme, e eu caio da cama.

Olho pela minha janela,

a casa vizinha não existe mais.

Está deitada, como um velho

tapete no chão de terra,

pisoteada por mísseis.

Largos chinelos

voando de pés sem pernas.

Eu não sabia que meus vizinhos

ainda tinham aquela pequena TV.

Que aquele quadro antigo

ainda estava pendurado

em suas paredes,

que a gata deles tivera filhotes.”

 

Mosab Abu Toha

Escritor, poeta, acadêmico e bibliotecário.

Palestino, natural da Faixa de Caza.

 

 

*Oliveira

Na cultura palestina, a oliveira

e suas azeitonas são símbolos

poderosos de identidade, resistência

e ligação com a terra. A árvore com

suas raízes profundas, representa a

conexão ancestral com a Palestina,

enquanto a oliveira e o azeite são

importantes para a economia e a

identidade cultural do povo palestino.

 

Os números do conflito / Julho25:

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa

de Gaza, do lado palestino 55.104 pessoas

já morreram e 130.000 ficaram feridas,

por decorrência da guerra desde o início

do Conflito entre Israel e o Hamas.

Nesse período o número de israelenses mortos

incluindo civis e soldados é de 1.200 pessoas

e cerca de 8.000 feridos.

 

Em 21 de Novembro de 2024, após uma

investigação de crimes de guerra e crimes

contra a humanidade, o Tribunal Penal

Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão

para dois altos funcionários israelenses,

Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de

Israel e Yoav Gallant, o ex-ministro da Defesa

de Israel, alegando responsabilidade pelo

crime de guerra de fome como método de

guerra e pelos crimes contra a

humanidade de assassinato, perseguição e

outros atos desumanos durante a guerra de

Gaza.

 

Claudio Lima
Enviado por Claudio Lima em 24/07/2025
Alterado em 24/07/2025
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